Quem sou eu

Blog da Turma C de Cinema e Rádio e TV do 1° Semestre de 2010

terça-feira, 18 de maio de 2010

Andy Warhol, Mr.America

Por Priscila Ferreira ,Cinema

Existe algo peculiar com a Pop Art.Quando aprendemos algo sobre esta vertente artística, não nos focamos na intensidade da pinceladas, ou na mensagem a ser passada.Sua grande sacada está no fato desta fazer uso de objetos quotidianos para se expressar.Talvez, o adjectivo que melhor descreva o pop, é o seu "objetivismo",no sentido de transformar as imagens em objetos de consumo. E antes mesmo de você perceber, ou saber você está consumindo arte.

Meu primeiro contato com a Pop Art, como a grande maioria, foi com Andy Warhol, eu deveria ter uns treze anos ,mas suponho que o conheci pelas minhas longas pesquisas musicais e o vi presente dentro da história da lendária banda liderada por Lou Reed, Velvet Underground. Andy lançou a banda no mercado, era produtor deles.E junto com isto, veio a tona todo o lifestyle que o dândi Andy, levava, cercava as pessoas e retratava em sua obra.Quanto mais conhecia o que Andy tinha feito, fui criando uma grande admiração por seu trabalho, principalmente pelo seu impacto visual,e por sua simplicidade.


Tive pela primeira vez, no dia 4 de abril,a chance de ver uma exposição direcionada a sua antologia artística, na Estação Pinacoteca.A exposição acontece ate o dia 23 de maio, e foi intitulada Andy Warhol,Mr. America. São apresentados mais de 170 obras, entre elas 26 pinturas,58 gravuras, 39 trabalhos fotográficos, duas instalações e 44 filmes realizados entre os anos de de 1961 a 1967. Estão presentes na exposição as célebres séries de retrato de Marilyn Monroe(1967) , as Sopas Campbell ( 1968) e a série de pinturas Death and Disaster ( minha favorita.Foi produzida de 1964 a 1963 ).Entre os filmes exibidos estão presentes Blow Job (1963) e Empire (1964).Os temas que cercam seu trabalho são a ascensão da cultura popular, e a imagem como um espectáculo, se assumindo como imagem, como um produto.

Minhas expectativas eram altas em relação a exposição, que apesar de ter um nível alto, ao meu ver não nos envolvia.Sempre que via as obras de Andy em outros museus elas estavam avulsas, não acompanhadas de outros de seus trabalhos.E esperava que desta vez a disposição das obras nos guiasse de maneira mais lógica, não fossem somente obras sem propósitos de estarem uma ao lado da outra.E apesar de estarem presentes 170 obras, o que nos faz pensar que é uma grande exposição temos que considerar que grande maioria delas eram polaroids que sim, tem o seu valor e outra parte eram 44 filmes, que são longos.Portanto, senti que o espaço tanto da exposição quanto das obras de Andy não foram bem aproveitadas.De que adianta trazer tantas obras se elas soam pequenas pois não foram bem posicionadas?

De qualquer forma, ao entrar na exposição, estava muito ansiosa e não sabia por onde começar, tive uma sensação engraçada,parecia que uma parte de Andy estava ali.E realmente estava.Nas fotografias algo de sua luz havia sido registrado, e nas pinturas, suas telas carregavam a ironia que as envolviam, sem nem um tipo de acanhamento, estavam ali assumidas.E essa sensação para mim foi impagável.Claro, sou fã de seu trabalho e entrei na exposição da maneira mais forte que pude para senti-la.

Ao escrever está crítica, cheguei a uma conclusão: Conheço pessoas que sabem falar mal da obra de Andy Warhol dizendo que ela é vazia, menosprezando seu trabalho.Eu respeito a opinião destas pessoas, de fato elas devem ter seus motivos.Mas respeito mais os que percebem que o sentido da obra de arte vai até onde nós queremos enxergar, até onde podemos enxergar.E isto é particular,tão singular quanto interpretar e lembrar de Andy Warhol.


http://xroads.virginia.edu/~ug02/cullers/images/morbidity/sucide.gif

Suicide (1962)

http://menteflutuante.files.wordpress.com/2010/03/andy-warhol-marilyn1.jpg

Série de retratos Marilyn Monroe (1967)

http://cubo3.com.br/wp-content/gallery/andy-warhol-mr-america/004-uncle-sam-1981.jpg

Uncle Sam (1981)




domingo, 16 de maio de 2010

Exposição no BUNKYO



"Os imigrantes japoneses deixaram aqui uma parte de suas vidas."


No prédio Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social) na estação Liberdade, fica o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, onde foi criada com o objetivo de retratar a história dos imigrantes japoneses em terras brasileiras. Com um acervo de cinco mil objetos, vinte e oito mil documentos e dez mil fotos, o museu toma a forma de uma máquina do tempo e nos leva para dentro da história. São três andares (sétimo, oitavo e nono) com materiais dispostos em ordem cronológica, sendo os dois primeiros montados em 1978 e o terceiro em Novembro de 2000.

No sétimo andar documentos mostram as relações diplomáticas em 1895 e as leis dos acordos de imigrantes entre Brasil e Japão, mostrando ainda a chegada dos japoneses e as vidas que levavam nos cafezais, onde passaram a trabalhar assim que chegaram. Réplicas dos navios Kasato Maru e Brasil Maru, retratam fielmente o veículo marítimo com que vieram os imigrantes ao Brasil. Réplica de uma cabana, utensílios caseiros, instrumentos de trabalho e animais empalhados descrevem como viviam.
No oitavo andar são enfocados a contribuição dos imigrantes japoneses na agricultura, a introdução de novas variedades vegetais, o período da Segunda Guerra Mundial (quando o Brasil e Japão estavam em lados opostos) e a reorganização da comunidade nipo-brasileira, que com o fim da segunda guerra os imigrantes descobrem que o Brasil é o único país onde seus filhos e netos podiam se prosperar, fixando-se aqui definitivamente.
No nono andar mais documentos e objetos são expostos, além de dois painéis gigantes de Seiji Togo chamados "Paisagens do Desbravamento dos Imigrantes", feito em óleo sobre tela. Uma obra que retrata a saga dos imigrantes japoneses neste país outrora desconhecido e hostil, o qual se tornara um novo lar.

Serviço: BUNKYO - Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social
Onde: Rua São Joaquim, 381 - Liberdade, São Paulo, SP
Data: Exposição Permanente
Funcionamento: De terça a sexta das 08:00 ao 12:00 e 13:00 às 18:00
De segunda e sábado das 13:00 às 18:00
Censura: Livre
Entrada: Adulto - 5 reais
Criança - 1 real
Estudante paga meia.

E não pensem que acabou. No térreo o Bunkyo faz exposições de artistas plásticos japoneses renomados internacionalmente. Nessa temporada é a vez de Yutaka Toyota que nascido no Japão e naturalizado brasileiro destaca-se em vários países, principalmente através de suas esculturas e monumentos. A exposição do momento são seus painéis que retratam a imensidão do mundo através da natureza modificada brutalmente pela destruição dos ecossistemas.
Suas obras tendo como temas o reflexo, a ilusão, o cósmico, as dimensões, o céu e a terra, expressam uma nova maneira de observar o tempo e o espaço que cerca a humanidade. Um espaço e um tempo infinito onde não se vê a olho nu.


Espaço - Pirâmide
Dimensão: 1,50 x 1,50m
Técnica Mista
2010


Espaço - Cósmico nº1
Dimensão: 1,50 x 2,04m
Técnica Mista
2004



Espaço - Arco-Íris
Dimensão: 1,50 x 1,50m
Técnica Mista
2010

Serviço: BUNKYO - Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social
Onde: Rua São Joaquim, 381 - Liberdade, São Paulo, SP
Data: 12 a 17 de Maio 2010
Funcionamento: Das 09:00 às 17:00
Censura: Livre
Entrada Franca


sexta-feira, 14 de maio de 2010

Hélio Oiticica - Museu é o mundo



Por Giovanna Giordano - cinema


Instaladas em 3 andares do prédio Itaú Cultural, cerca de cem obras do multi-artista Hélio Oiticica, fazem com que o momento lá fora seja deixado de lado, para que possamos sentir penetrar em nós toda a aura e intenção que ele teve ao pensar e executar, cada uma de suas peças.
Nas paredes do 1° andar, podemos ler trechos de uma entrevista feita com Oiticica durante a década de 1960, descrições de seus processos artísticos, um pouco de sua história. Ao afirmar que o espaço é a pintura e que o material utilizado não importa, o carioca sinaliza suas características Neoconcretas - ele foi um dos fundadores do grupo (1959) junto com artistas como Amilcar de Castro . Observa-se isso com a coleção Metaesquema (1968), todas feitas do simples combinado de papelão e tinta guache. E é aqui que percebemos, a habilidade do artista ao mesclar formas geométricas, cores puras (vermelho e azul), texturas e trazer sensibilidade ao espectador. E ao transpor suas pinturas para o espaço aéreo, com suas obras suspensas, Hélio Oiticica quebra com o conceito de que pintura é sinônimo de quadro.





Na década de 1960, o carioca cria o Parangolé: a antiarte por excelêcia. Por ser uma pintura viva e ambulante, como o Aspiro ao grande labirinto, é a partir dos movimentos de quem o visita, a possibilidade de interação com a obra, que é possível perceber de forma sensorial e orgânica, os aspectos trabalhados por Hélio, como cor, textura, forma e material.

" (...) O intelecto cria leis e preconceitos, obstrui a expressão cósmica, dificulta o sublime. E para mim, toda grande expressão de arte aspira ao sublime. A tendência do artista e ser cada vez mais consciente do que faz (...) " - fragmento de texto retirado das paredes da exposição





Apesar do clima sério e quieto do 1° andar, ao descer para os subsolos é que podemos experimentar as obras sensoriais e interativas, propostas pelo artista. Uma "casinha" feita de tule e tela, iluminada com luzes azuis, vermelhas e amarelas, encontramos uma sala de estar; dois pianos paralelos sendo altamente assediados por crianças da 4a série fundamental da Escola da Vila, que incrivelmente sabiam tocar desde "me dá danoninho" até "All the lonely people" e deram um show para os poucos que passavam por ali; raízes aéreas e lixo espalhado. Todas as outras obras interativas estavam "ocupadas" com as crianças, e foi incrível perceber as reações dos pequenos ao descobrirem que deviam tocar nas peças e coisas ali expostas para compreendê-las.

Mas o que Hélio Oiticica realmente quer ao propor toda essa interação? A resposta vem novamente, colada nas paredes "O que seria o objeto? Nova categoria ou nova maneira de ser da própria estética?(..) criado na participação cada vez maior do espectador, supera-se o fim como expressão estética." - extraído de Ao meu ver: Novo Comportamento. Em obras como Tropicália, na criação dos bólides, ele pôde transmitir suas críticas ao sistema político vigente (ditadura militar), ao caráter das pessoas e ao futuro, o fim que as coisas levariam.

Incrivelmente, hábil e engenhoso nas suas concepções, Hélio Oiticica é um multi-artista que não tem semelhantes para se comparar. Sua obra vai muito além daquilo que vemos: está no processo criativo, nos rascunhos, no material e sua origem, na capacidade do espectador em interagir com a obra e completá-la e/ou transformá-la. Hoje tive a certeza, que mesmo após 30 anos do falecimento de Hélio, pude ser transformada e agregar mais significados às peças deste homem fascinante, além de concordar que o mundo é realmente um museu!





Serviço: Hélio Oiticica - Museu é o mundo
Exposição: sábado 20 de março a domingo 23 de maio de 2010
terça a sexta 9h às 20h
sábado domingo feriado 11h às 20h
Grátis
Onde: Itaú Cultural, Avenida Paulista, 149, São Paulo, SP (próximo à estação Brigadeiro do metrô).
agendamentos e informações 11 2168 1876 [segunda a sexta 10h às 18h]

terça-feira, 11 de maio de 2010

Pierre Verger: Um Olhar sobre Buenos Aires

Por Paulo Pivetta - Cinema
Optei pela visita da exposição fotográfica "Um Olhar sobre Buenos Aires" simplesmente por estar em um momento de particular interesse pela América Latina e por ter conhecido a capital argentina em fevereiro deste ano. Devo admitir que não conhecia o trabalho do franco-brasileiro Pierre Verger (que aliás, tem uma história de vida interessante, como vim a descobrir posteriormente) mas as fotos expostas me chamaram muita atenção.



Pierre retrata um tema que me agrada muito: o cotidiano. Nas 32 fotos expostas, temos acesso a pequenos detalhes do dia-a-dia de Buenos Aires nos anos 40, no curto período em que o artista esteve na Argentina. O material, que pode ser visitado no Memorial da América Latina, retrata desde crianças se divertindo nas ruas até paisagens portenhas. O curioso de se notar é que as cenas registradas parecem poder ser, na verdade, de qualquer grande cidade do mundo, pois retratam mais a população do que a metrópole em si. Mas é claro que há um toque latino em muitas delas.



As fotos expostas foram tiradas entre 1941 e 1942 e foram publicadas na revista "Mundo Argentino" e no jornal "Argentina Libre" e valem a visita. Espero que ao menos, o interesse por Pierre Verger seja despertado nos demais visitantes.

Serviço:
Onde: Memorial da América Latina - Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 - Barra Funda, São Paulo-SP
Data: De 15/04 a 13/05
Funcionamento: De terça a domingo, das 09h às 18h
Censura: livre
Entrada gratuita para todos

domingo, 2 de maio de 2010

Maureen Bisilliat - fotografias


Por Melina Alvarenga - Cinema


A galeria de arte do Sesi - SP apresenta o trabalho de Maureen Bisilliat. Nascida em Surrey, Inglaterra, adotou São Paulo para viver e trabalhar. Fotojornalista por excelência, Maureen fez diversos trabalhos inspirados em obras literárias de grandes autores brasileiros.
Nessa exposição do Sesi podemos conferir os trabalhos "Bahia amada amado" sobre a Bahia de Jorge Amado que são imagens que evocam mar, céu terra e gente; "A João Guimarães Rosa" que são fotos em preto e branco sobre o sertão e suas veredas, inspirado em Guimarães Rosa, retratando o cotidiano simples do sertão em 1963; "Pele Preta" que é um de seus primeiros trabalhos fotográficos inspirado pela beleza e textura da pele negra; "Caranguejeiras" que é um trabalho realizado nos manguezais, onde Maureen capta a sensibilidade feminina junto com a textura da lama; "Vaqueiros" onde Maureen faz os retratos em cor, com luz de janelas destacando as vestimentas e indumentárias do vaqueiro; "Xingu/Terra" que é um trabalho documental sobre os índios do Xingu retratando diversos aspectos da vida em comunidade, desde momentos de descontração, até esportes e caça, destacando as figuras em um fundo preto. Há outros trabalhos como "África: moda, cultura e tradição/Costa do Marfim" 1993, "Instantâneos de um Japão incomum" 1987, "Kollasuyo: altiplano boliviano" 1980 e "China" 1982 são trabalhos em cor, retratando o cotidiano de cada país/cultura.
No final da exposição há alguns objetos pessoais (originais) como documentos, fotos, cartas assinadas por Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade entre outros itens. Apresenta inclusive chapas de impressão, faixas de teste originais e até uma projeção sobre como é feita a impressão de seus trabalhos.
Eu recomendo essa exposição especialmente pela parte sobre Xingu que se encontra em um corredor escuro onde as fotos estão com uma iluminação destacando bastante suas cores fazendo até parecer que estão sendo projetadas.




Fotografia da série "Pele preta"



Fotografia da série "Caranguejeiras"

Serviço: Galeria de Arte do SESI – Centro Cultural Fiesp-Ruth Cardoso - Av. Paulista, 1313
Data: de 02 de março a 04 de julho de 2010
Horário: Segundas-feiras, das 11h às 20h, terça-feira a sábado, das 10h às 20h, domingos, das 10h às 19h
Ingressos: Entrada franca
Mais informações: (11) 3146-7405 / 3146-7406, http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_expo.asp


domingo, 25 de abril de 2010

Tim Burton


Por Lina Fridman - Cinema


Quem não se lembra de ter asisstido, pelo menos uma vez na infância, Edward Mãos de Tesoura, ou até mesmo O Estranho Mundo de Jack? Timothy Walter Burton - mais conhecido como Tim Burton - certamente não é o que podemos chamar de "convencional”; o artista é lembrado principalmente por seus filmes com visuais surpreendentes, bem como personagens marcantes, muitas vezes inseridos em uma atmosfera fantasiosa e singular.

O Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, oferece uma ampla exposição que explora a grande variedade dos trabalhos criativos de Burton, traçando o percurso de sua imaginação desde seus desenhos de infância, até seu trabalho maduro em filmes. O extenso acervo da exposição traz mais de 700 raras, ou até mesmo nunca vistas, obras do artista - incluindo desenhos, pinturas, fotografias, filmes, storyboards, maquetes, figurinos, entre outros -, que nos abre as portas para esse mundo fantástico concebido pela imaginação, um tanto quanto original, de Burton.

Para os que acham que o trabalho de Tim Burton é especialmente direcionado às crianças, estão muito enganados. A exposição chama atenção de todas as idades, pessoas do mundo inteiro, e pela alta frequentação da exibição, não é difícil afirmar que a reunião das obras feita pelo museu foi um sucesso. Para aqueles que não tiveram a oportunidade de ver os trabalhos de Tim Burton no MoMA, há boatos de que a exposição virá ao Brasil no fim de 2010. Infelizmente, ainda não há confirmação - mas caso realmente aconteça, eu recomendo a todos, principalmente aos amantes do cineasta; porque eu adorei poder chegar mais perto desse mundo incrível de Tim Burton.


Sem título (Cartoons). 1980–86. Lápis em papel, 13 x 16” (33 x 40.6 cm)



Bonecos usados no filme O Estranho Mundo de Jack.



Bonecos usados no filme A Noiva Cadáver.



Oyster Boy (Menino Ostra).



Figurino do filme Edward Mãos de Tesoura.



Exposição: Tim Burton
Local: Museum of Modern Art - MoMA
Data: 22 de novembro de 2009 - 26 de abril de 2010
Ingresso: US$ 20
Site: http://www.moma.org/interactives/exhibitions/2009/timburton/

terça-feira, 6 de abril de 2010

Claudio Carpi - Almas Cinematográficas



Por Rafael Farina / cinema

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RIO) com o apoio do Instituto Italiano di Cultura apresenta a exposição "Cláudio Carpi - Almas Cinematográficas" que exibe para o público brasileiro 33 retratos de personalidades cinematográficas clicadas pelo fotógrafo italiano Claudio Carpi.
Apreciar a exposição de Capri pode ser uma experiência única para os amantes da sétima arte. Fábio Carpi, cineasta e pai de Claudio, abre a exposição com um texto belíssimo que discorre sobre a natureza e a relação entre a imagem e o fotógrafo. Se opõe veementemente aos cânones do simulacro fotográfico privilegiando a imagem como uma verdadeira "defesa contra a dispersão do nosso eu...". Compara o fotógrafo ao bruxo que detém o poder de roubar a alma das pessoas e dos objetos, enfim, demonstra seu deslumbramento com o poder infinito do olhar. Para Fábio, e também para o autor que lhes escreve neste momento, Cláudio consegue roubar a alma, o deleite misterioso da face de seus fotografados, transpor a magia destas personalidades para a concretude da imagem que Fábio fala em seu breve texto.
Carpi o faz de fato com perfeição. O olhar triste, lacônico mas extremamente tocante de Vittorio Gassman prende o olhar de qualquer um que por ali passa. O charme e glamour de Mastroianni, ou a beleza rebelde de Sean Penn, Audrey Tautou e Natalie Portman saí da tela e devora os olhos do espectador que passivamente contempla as belas figuras do mundo mágico do cinema. Celebridades brasileiras de renome internacional também marcam presença. Figuras como Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Maitê Proença e Roberto Burle Marx aparecem esporadicamente em meio a um turbilhão de olhares perspicazes e afiados que desafiam a velha camara obscura de Claudio.

Serviço: Claudio Carpi – Almas Cinematográficas
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
Visitação pública: 17 de março de 2010 a 02 de maio de 2010
Realização: MAM Rio e Instituto Italiano di Cultura
De terça a sexta, das 12h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 12h às 19h.
Ingresso: R$8,00
Estudantes maiores de 12 anos R$4,00
Maiores de 60 anos R$4,00
Amigos do MAM e crianças até 12 anos entrada gratuita
Domingos ingresso família, para até 5 pessoas: R$8,00
Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85
Parque do Flamengo – Rio de Janeiro – RJ 20021-140 Telefone: (021) 2240-4944
www.mamrio.org.br

Foto mostra o escritor e diretor de cinema Fabio Carpi, pai de Claudio, em Roma, no ano de 1983 (104 x 124 cm)

Roberto Burle Marx aparece em foto de 1994, no Rio de Janeiro (120 x 120 cm)

Imagem de Audrey Tautou em Paris, em 1999 (70,5 x 150 cm)